JOAQUIM NABUCO | Ser Educacional
06 Novembro
ARTIGO
Inclusão Social nos Cursos de Saúde
Por Thaisa Remigio

Por Edson Regis Tavares Pessoa Pinho De Vasconcelos

Desde as três últimas décadas, os importantes avanços produzidos pela redemocratização da sociedade, apontavam a emergência da construção de espaços sociais menos excludentes e de alternativas para o convívio na diversidade. Tal necessidade está relacionada à capacidade que uma cultura tem de lidar com as heterogeneidades que a compõe, tornando-se assim um critério de avaliação de seu estágio evolutivo e de bem-estar social, especialmente em tempos de fundamentalismos e intolerâncias crescentes em que vivemos (Paulon et al, 2005).

O último censo revela que o Brasil contabiliza, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2010), 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora ou mental/intelectual – o que significa 24% da população. Nesse cenário, avanços foram discutidos e alcançados através de políticas públicas de inclusão social na última década. Em 2008 o Brasil fez parte da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (ONU). Em 2011, foi lançado um Plano Nacional dos Direitos das pessoas com Deficiência - Viver sem Limite, com o objetivo de implementar novas iniciativas e intensificar ações, que na época, já eram realizadas. O modelo de educação inclusiva pelo qual optou o Brasil é baseado no artigo 24 da Convenção da ONU, que reconhece os direitos das pessoas com deficiência à educação regular em todos os níveis, sem discriminação e com igualdade de oportunidades, sendo tema de debate na conferência das Nações Unidas em 2017 (Brasil, 2017).

A continuação da política de inclusão social vem se mantendo, com programas de inclusão social e a publicação da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência (Brasil, 2016). E programas frutos dessa política, como o Alumiar da Fundação Joaquim Nabuco e Ministério da Educação (Fundaj) que disponibiliza salas de cinema para pessoas com deficiência sensoriais. Recentemente o tema da acessibilidade e inclusão social foi o tema escolhido para redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM 2017), trazendo a discussão para o âmago da sociedade, exigindo dos futuros ingressantes do ensino superior, conhecimento e capacidade argumentativa de um tema que deveria ser cotidiano.

É através de instituições de ensino regular que as atitudes discriminatórias se devem combater, propiciando condições para o desenvolvimento de comunidades integradas, que é a base da construção da sociedade inclusiva e consequentemente obtenção de uma real educação para todos (Fortes, 2005).

Nessa perspectiva, a inclusão social deixa de ser uma preocupação a ser dividida entre governantes, especialistas e um grupo delimitado de cidadãos com alguma diferença e passa a ser uma questão fundamental da sociedade.

O profissional da área de saúde, deve possuir práticas e vivências com a pluralidade, através de uma formação interdisciplinar. Para isso, os objetivos devem atender à regulamentação do Ministério da Educação (MEC), referente à modificação dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação na área da Saúde, que visam à interdisciplinaridade, de acordo com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), com vistas à atenção integral à saúde do sujeito.

Mesmo após anos na estrutura do ensino de saúde, o usuário do sistema de saúde busca nos profissionais, ações que contemplem práticas de humanização, proporcionando soluções para as suas problemáticas em saúde. No entanto, os serviços ofertados e a demanda percebida, normalmente estão fundamentados num modelo biomédico hegemônico, caracterizado pela centralização no objetivo "doença" em detrimento da observação e aproximação da relação saúde-usuário: escuta, acolhimento e compreensão do sentido social do sofrimento e adoecimento (Luz, 1997).

Os alunos recém-chegados do ensino médio, ainda são frutos de uma educação disciplinar, a dificuldade de exercício de uma prática interdisciplinar compreende fatores de tensão como o que transita no imaginário de estudantes quanto ao conceito contemporâneo de saúde (Grave et al, 2013).

Nas turmas de saúde do Centro Universitário Uninabuco, são realizadas atividades inclusivas desde os primeiros meses de curso, como visitas em Hospitais, Abrigos de Idosos e Enfermarias, para trabalhar a sensibilização dos futuros profissionais com conflitos e a problemática cotidiana da profissão.

Nesta perspectiva, a interação com os usuários e demais membros familiares e/ou cuidadores é norteada e oportunizada no conceito de educação em comunhão, mediados pelo ambiente de inserção mútua (Freire, 1987).

Os espaços de observação e prática, constituídos mediante a oportunização do encontro entre alunos, professores, usuários dos serviços, cuidadores e/ou familiares, constitui, uma ferramenta crucial na sensibilização dos alunos (Grave, 2013) através da observância do olhar ampliado do usuário, premiando a integralidade e a interdisciplinaridade no cuidado. Tornando-os assim profissinais mais capacitados, democráticos e humanos ao tratar com a pluralidade, em uma prática de inclusão social.

Referências

Paulon, S. M., Freitas, L. B. L.; Pinho, G. S. 2005. Documento subsidiário à política de inclusão. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial.

IBGE (2010). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Censo Demográfico. http://www.censo2010.ibge.gov.br/>. Consultado em, 05/11/2017.

Brasil. 2017. Educação Inclusiva no Brasil é tema de debate em conferência da ONU. Secretaria nacional de promoção dos direitos da pessoa com deficiencia (SNPD). Brasíia. http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br consultado em, 05/11/2017.

Brasil. 2016. Ministério da Justiça e Cidadania. Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência - Lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (estatuto da pessoa com deficiência). Brasília.

Fortes, V.G.G.F. 2005.  A inclusão da pessoa com deficiência visual na UFRN: a percepção dos acadêmicos. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Luz, M. T. 1997. Cultura contemporânea e medicinas alternativas: novos paradigmasem saúde no fim do século XX. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 7, nº 1, p.13-43.

Grave, M. T. Q.; Castro, L. C.; Fernandes,L. C.; Schmeier, B.; Becker, M. C. 2013. Ações interdisciplinares de cuidados em saúde: Interdisciplinaridade na formação e integralidade na Atenção em saúde. Cataventos, 5, 1. p.14-24.

Freire, P. 1987. Pedagogia do oprimido. 11ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. p.39.

01 Novembro
ARTIGO
Estratégias de comunicação para inclusão social
Por Hildo Pereira

Este estudo identifica e analisa as estratégias de comunicação participativa nas metodologias utilizadas pelo projeto INFORMAR . Aponta que o caminho para a mobilização social é entender a comunicação através de práticas participativas. Explica o caráter dialógico, educativo e pedagógico da comunicação na compreensão e transformação da realidade e a aplicação desses conceitos na metodologia do INFORMAR. Examina a presença do “Produtor Social”, do “Reeditor Social” e do “Editor Social”, nos processos de comunicação. O ponto alto da análise é a constatação da transformação dos jovens em reeditores sociais. O estudo leva a percepção da comunicação como uma poderosa ferramenta de inclusão social.

Clique aqui para ler o artigo completo. 

21 Outubro
ARTIGO
“Uma viagem inesperada – missão especial” sob a ótica da educação especial
Por Belkiss Gulard

Olá, Futuras(os) Pedagogas(os)!

       Durante toda  a história da NABUCO, temos contruído espaços de diálogo e práticas de grande significância quanto ao Paradigma Inclusivo.  Quando falamos de inclusão percebemos que no senso comum a mesma é vinculada às Pessoas com Deficiência (PCD´s). Porém, quanto à Educação Especial na Perspectiva Inclusiva não podemos esquecer que além das pessoas com deficiências físicas (DF), deficiências visuais (DV), deficiências auditivas (DA), Deficiências Intelectuais (DI) e Deficiências Múltiplas (DMu), são consideradas também público-alvo as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e aquelas que apresentam comportamentos de Altas Habilidades/Superdotação (AH/S).
       Além da disciplina Educação Especial, contida na Matriz Curricular do Curso de Pedagogia, vários eventos já inseridos no calendário institucional da IES buscam proporcionar espaços de construção de conhecimentos, tanto no que se refere ao público-alvo da Educação Especial citado acima, quanto nas questões relacionadas à inclusão social como um todo. E nessa concepção geral da inclusão estão contidas as chamadas "minorias sociais" estudadas nas questões étnico-raciais , nas questões de gênero, etc.

       A Inclusão Social é uma tarefa extremamente nobre, porém bastante árdua ainda nos dias atuais... E isso tem motivações históricas! Durante muitos séculos o "ser diferente" da maioria das pessoas foi considerado, por muitas vezes, algo maldito, perigoso e digno de controle, exclusão e/ou extermínio. Na contemporaneidade, mesmo após a Declaração de Salamanca (Documento elaborado na Conferência Mundial sobre Educação Especial, em Salamanca, na Espanha, em 1994, com o objetivo de fornecer diretrizes básicas para a formulação e reforma de políticas e sistemas educacionais de acordo com o movimento de inclusão social)  ainda encontramos muitas posturas excludentes, segregacionistas e no máximo integradoras na Educação Formal.

        Ainda é bastante difícil, devido às barreiras (atitudinais, comunicacionais, arquitetônicas e sociais), percebermos sistematicamente uma inclusão de fato e de direito. Porém esse desafio tem nos impulsionado a buscar reverter essa realidade a partir do protagonismo social. Como um bom exemplo deste protagonismo em prol da inclusão, decidimos sugerir  o filme "Viagem Inesperada - Missão Especial", que baseado  numa história real, narra a luta de uma mãe solteira para incluir seus dois filhos gêmeos com Transtorno do Espectro do Autismo na Educação Regular. É bem possível fazer vários recortes de gênero, questões étnico-raciais e de classe social. 

         Você pode assistir ao filme, na versão dublada para o português, pelo Youtube através do link https://www.youtube.com/watch?v=Xv6sIfaG6nk . Às pessoas interessadas em instrumentalizar o olhar quanto ao TEA, segue anexado ao post uma produção acadêmica recente do Professor Francisco Alexandrino na qual aspectos importantes são pontuados, dentre eles: características do Transtorno do Espectro do Autismo; Desenvolvimento da criança com TEA; Posicionamentos das escolas frente ao chamado Paradigma Inclusivo e Relações entre família de estudantes com TEA e escola. #ASSISTAM #LEIAM #COMPARTILHEM




 

 

       

17 Outubro
ARTIGO
Inclusão social como condição primordial para garantia de saúde
Por Thaisa Remigio

Por Ubiracy Pereira Junior

A inclusão social vem sendo um assunto bastante debatido pelo Governo Federal e pela sociedade nos últimos tempos. Em 2011, na gestão da presidenta Dilma Rousseff, foi lançado um Plano Nacional dos Direitos das pessoas com Deficiência “Viver sem Limite”. Esse plano atua com base em quatro pilares que consistem no acesso à escola, a inclusão social, a atenção à saúde e acessibilidade, para cada área da deficiência tais como: auditiva, intelectual, motora e visual (BRASIL, 2011).

Nesta perspectiva, destaca-se, ainda, que as ações do Plano “Viver sem Limite” englobam o transporte escolar mais acessível, para que as pessoas com deficiência tenham a possibilidade de chegar até o local de ensino; mudanças estruturais em escolas públicas e instituições federais de ensino superior a fim de proporcionar condições adequadas de acesso; implementação de recursos multifuncionais nas salas de aula; além de oferta de 150 mil vagas para pessoas portadoras de deficiência em cursos federais de formação profissional e tecnológica.

O “Viver sem Limite” foi construído com inspiração na força e no exemplo das próprias pessoas com deficiência, que historicamente estiveram condenadas à segregação. Todo cidadão e cidadã tem o direito à liberdade de expressão, de estudar e trabalhar, tudo isso, garantido por lei pela Constituição Brasileira. O indivíduo quando se sente acolhido torna-se produtivo, desenvolve saúde de qualidade e contribui efetivamente para o crescimento familiar e de todos a sua volta. Logo, a inclusão social consiste em meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, preconceito social e racial.  

Todas as pessoas têm direito à vida e a viver com qualidade. É dever do Estado garantir a saúde dos cidadãos que, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, é definida como o completo bem estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doenças.

Neste contexto, a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990) ressalta que para que o indivíduo e a comunidade desenvolvam uma saúde de qualidade, se faz necessário alguns fatores determinantes e condicionantes que envolvem a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer, liberdade de ir e vir e o acesso a bens e serviços essenciais (BRASIL, 1990). Logo, podemos entender a urgência em garantir a reabilitação profissional dentro de uma política nacional de saúde do trabalhador, possibilitando melhores acessos às pessoas com deficiência, para que estas possam mostrar sua capacidade profissional e colaboradora em todas as áreas, incluindo a área da saúde, conforme suas competências, cabendo, de acordo com Maeno; Takahashi; Lima (2009), definitivamente, ao Estado o papel de guardião das leis e de regulador legal e social em benefício do exercício da cidadania.

11 Outubro
MATÉRIA
A inclusão social passa pelo direito à comunicação
Por Hildo Pereira

Por Iriny Lopes
 
O acesso a informações e a oportunidade de produção de conteúdos, além da garantia de difusão e distribuição são princípios fundamentais no debate sobre a democratização da comunicação. O Brasil está longe de ter uma mídia independente e democrática. O mercado de TV é controlado por seis grandes grupos, que movimentam anualmente cerca de US$ 3 bilhões, sendo que quase metade desse total (US$ 1,59 bilhão) está concentrada nas mãos da Rede Globo. Segundo relatório da Article 19, que atua na promoção e proteção ao direito à liberdade de expressão, são essas seis empresas que controlam a informação “em conjunto com seus 138 grupos afiliados, um total de 668 veículos midiáticos (TVs, rádios e jornais) e 92% da audiência televisiva – a Globo, sozinha, detém 54% da audiência da TV (em um país em que 81% da população assiste TV todos os dias, numa média de 3,5 horas por dia)".
 
Esta concentração do mercado de informação dá a medida de quanto a sociedade é excluída de todo o processo de elaboração da comunicação. A seleção de conteúdos privilegia os interesses privados, sobretudo os que interessam às grandes empresas nacionais e transnacionais, e segregam as demandas sociais. Não é necessário ser especialista para constatar a pasteurização das notícias. Raros são os veículos que conseguem fugir do noticiário “consensual” das redes, numa cartelização dissimulada da comunicação.
 
A diminuição das desigualdades sociais não se dará sem que se considere a comunicação como elemento de inclusão. As elites sabem da importância da informação. Por isso mesmo, relutam em abrir o mercado, de serem fiscalizadas, de terem o controle externo que tanto pregam para o Legislativo e o Executivo, usando o falso e precário argumento de que estão sendo cerceadas na liberdade de expressão. A democratização prevê a universalização de vozes, pensamentos, culturas e respeito à diversidade, algo que não cabe no restrito mercado atual controlado por grandes empresas de comunicação.
 
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