JOAQUIM NABUCO | Ser Educacional
05 Janeiro
ARTIGO
O desafio do “nem-nem” brasileiro
Por Leonardo Estevam

O desafio do “nem-nem” brasileiro

A situação atual, o conceito e a provocação

Há dias atrás o IBGE publicou uma pesquisa que mostra o crescimento da quantidade de “nem-nem” no Brasil, a mesma demonstrou que o número de pessoas nessa condição incrementou a ponto de chegar a 25,8% dos jovens de 16 a 29 anos. Certamente uma temeridade se tratando de uma economia como a brasileira, que possui índices de Educação, produtividade e inovação baixos quando comparada a países que possuem as mesmas características de tributação e de geração de riqueza. Só para explicar, a designação “nem-nem” é dada àquelas pessoas que nem estudam e nem trabalham, tal designação foi usada pela primeira vez no Reino Unido com o acrônimo NEET(Not in Education, Employment or training).

Mas qual o motivo principal para que esse número esteja tão alto no Brasil?  Será que a crise econômica é a única razão para que os jovens estejam cada vez mais sem trabalhar ou estudar? Certamente parte das explicações são atribuídas à crise econômica, mas diante do aprofundamento nos números podemos perceber que esse fenômeno do “nem-nem” tem causas maiores e mais antigas que a crise brasileira atual.

A crise

Realmente, quando se avalia a crise econômica brasileira de nossos dias é impossível deixar de atribuir à mesma alguma responsabilidade no incremento do número de jovens sem estudar e sem trabalhar. Só para se ter uma ideia, um índice que chama muito a atenção é o fator que mede a dívida bruta das empresas sobre o Patrimônio líquido, entre 2010 e 2015 em empresas de capital fechado, maiores empregadores do país, esse índice aumentou 70% (Fonte:CEMEC-IBMEC). As empresas de capital fechado são, em sua grande maioria, empresas de micro, pequeno e médio porte e, com índices como esse, sua capacidade de investir fica mais restrita e, por conseguinte, diminuem as chances de contratação de jovens. Essas empresas são responsáveis por 88% dos empregos no Brasil.

Outro índice igualmente preocupante é o número de empresas em recuperação judicial. Em 2016 esse número foi recorde, apesar da melhoria tímida, em 2017 ainda é maior que os números acumulados em 2012, 2013, 2014 e 2015. Só para se ter uma ideia em 2016 esse número teve incremento de 44,8% em relação a 2015. Essa evolução da quantidade de empresas que optam pela recuperação judicial, além de criar insegurança entre os que procuram emprego, também é temerária para empresas menores que são fornecedoras de empresas maiores que se utilizam desse expediente. Apenas 1% das empresas que se utilizam da recuperação judicial saem do processo saneadas (SERASA EXPERIAN).

O Impacto na nossa vizinhança

Com todo esse cenário em torno dos maiores empregadores, não é de se surpreender com os índices de desempregos no Brasil. Claro que nos assustamos, mas longe de ser uma surpresa. O desemprego tem diminuido no mundo num ritmo inferior ao de 2008, ano do subprime (crise) americano, e, para piorar, o desemprego de longo prazo tem diminuido ainda mais lentamente que o desemprego global (OCDE). Esse fenômeno é explicado pela atual quarta revolução industrial e seus aspectos de geração de tecnologia e economia compartilhada. Mas esse é um outro assunto que prometo abordar em outro texto.

Mas no Brasil de hoje, além dos impactos da quarta revolução industrial (que serve pra todo o mundo), a questão interna é mais grave. Com um governo endividado, empresários endividados e consumo das famílias comprimido, o desemprego brasileiro bateu, no 3° trimestre de 2017, na casa dos 12,4% , no Nordeste esse índice foi de 14,8% e, no Recife, chegou a incríveis 20% de acordo com o IBGE (tabela 4095). Essa situação da capital pernambucana tem relação com a quantidade de projetos subsidiados diretamente pelo governo federal e que acabaram não evoluindo no Estado. Em especial, os projetos da Refinaria, do Estaleiro e da Cidade da Copa são vistos como pontos cruciais de geração de incertezas e de quebradeira entre as empresas de micro, pequeno e médio porte que eram fornecedoras desses empreendimentos.

Onde está o FIES que estava aqui?

Uma das características principais dos jovens brasileiros é que apenas 25% dos que terminam o segundo grau ingressam no Ensino Superior, na maioria das vezes os jovens começam a trabalhar e só após 5 anos (INEP) entram na faculdade. Com o salário do seu emprego acabam arcando com as mensalidades, posto que 76% das matrículas são em Instituições privadas(INEP). O uso de financiamento governamental foi, entre os anos de 2012 a 2014, um impulsionador relevante de ingressantes no ensino superior, mas quando as mudanças chegaram, ainda no governo Dilma Roussef, para ajustar o financiamento à situação fiscal do governo, regras relevantes restringiram o acesso ao programa.

A principal nova regra impactante poderia ser a que restringiu o número de contratos a apenas 61.500 em 2015. Antes não havia limite de contratos. Poderia ser a que passava a taxa de juros de 3,4% a.a para 6,5% a.a, também poderia ser a que criava como cursos prioritários as áreas de saúde, engenharia e Educação (Formação de professores). Essa última é muito relevante para a economia, pois no país mais de 38% dos novos ingressantes vão para área de Ciências Sociais, Negócios e Direito, sendo que Administração e Direito respondem por 44,69% do total desta área do conhecimento, o que demonstra uma concentração muito grande dentro destes dois cursos.      

Mas nenhuma regra evidenciou tanto o problema brasileiro quanto a regra que impôs a condição de atingir a nota mínima de 450 pontos no ENEM para ter acesso ao FIES. Essa definição associada a nova condição da família ter renda per capita de 2,5 salários mínimos expôs de vez o quanto a educação básica brasileira está deficitária em diversos aspectos. Os ingressantes simplesmente não atingem a nota mínima e, apesar de cumprirem com todas as outras novas exigências feitas pelo governo, não conseguem o financiamento graças a essa restrição. Então o governo que não consegue entregar uma educação de qualidade durante os anos de escola é o mesmo que cobra do estudante uma nota mínima de 450 para financiar seus estudos na faculdade. Resultado? Sobram vagas de FIES Brasil afora. Somente 75% das vagas são preenchidas pelo Mercado. Surpreso leitor?

Também não é surpresa tal resultado pífio no ENEM, os brasileiros que fazem ensino público nesse país estão expostos a uma qualidade extremamente difícil de adjetivar. Os índices educacionais brasileiros ficam entre os piores do mundo e, como já se sabe também, as disparidades entre escolas públicas e privadas acabam gerando estudantes abastados nas Universidades Públicas e estudantes de classes menos favorecidas nas Instituições privadas. A pior nota no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) das escolas privadas foi maior que a melhor nota entre os Estados da Federação. Pernambuco, que celebra a liderança, teve nota de 3,9 no IDEB enquanto que a pior escola privada do país atingiu 4,0.

Voltando à regra que afastou os estudantes provindos das classes menos favorecidas, e expostos à educação pública deficitária do governo, das Instituições de Ensino superior podemos perceber claramente que essa restrição gerou outro processo interessantíssimo de se vivenciar. Os estudantes estão em migração para financiamentos privados. Desde 2010 mais de 2 milhões de brasileiros optaram por utilizar algum financiamento privado para arcar com sua Faculdade e isso deverá acelerar esse ano. O brasileiro, definitivamente, quer estudar.

O Brasileiro aprendeu que estudar é bom ou o mercado ensinou?

Definitivamente o brasileiro é compelido a estudar mais todos os dias. Essa imposição, infelizmente, não vem de pais presentes cobrando de seus filhos, nem de jovens mais conscientes da necessidade de uma evolução pessoal e muito menos de um governo que incentive a busca contínua por educação. Não. Pais brasileiros não olham nem o que seus filhos consomem na internet, apenas 33% dos pais brasileiros fazem atividades junto com os filhos na rede. Nem tão pouco o brasileiro ganhou consciência de que estudar é bom, 44% dos brasileiros não lê e 30% nunca comprou um livro. E o governo nem comento, pois quem está tendo que lidar com um déficit de mais de R$ 200 bilhões causado por muita corrupção e falta de gestão não tem tempo pra incentivar ninguém a nada.

O que houve foi que o mercado fez a tarefa! E fez da maneira mais direta e objetiva que poderia ser feita. Hoje, no Recife, quem tem ensino superior está exposto a uma taxa de desemprego da ordem de 7,8% enquanto quem tem ensino médio completo está exposto a uma taxa de 24,3%. O mercado está mostrando sua demanda e não tem sido fácil. Aliás, com todos os índices de desemprego que temos atualmente no Brasil, no Nordeste e em Recife, 63% das empresas reportam dificuldades para contratar uma pessoa, mesmo pagando em média 56% a mais para quem tem Ensino Superior.

O mercado não está ensinando o brasileiro gratuitamente, as necessidades com as quais tem se deparado são de uma inovação constante e necessária, uma colaboração nunca antes vista e uma pressão muito forte da competitividade internacional. É a nova Economia. Então não adianta contratar quem não tem ciência para implementar em sua empresa.. Quem não estiver estudando, estará fora do mercado. Quem faz o país é o mercado, mas para fazer mercado precisamos de pessoas preparadas. #FICADICA #CORRA #Estude

17 Outubro
MATÉRIA
Empregabilidade - como ser raridade no mundo dos iguais
Por Jesse Barbosa

 

Este artigo surgiu através de uma reflexão sobre vários treinamentos que já ministrei sobre o mercado de trabalho e suas tendências. Ao ser indagado por vários participantes sobre oportunidades de colocação e recolocação no mundo do trabalho, senti-me incomodado ao perceber que várias pessoas não têm a mínima ideia de qual caminho trilhar e se posicionar diante de tais mudanças, face às novas perspectivas do mercado de trabalho.

Ao analisar o desenvolvimento da economia do Brasil, percebo grandes avanços, não só no setor primário, como o desenvolvimento exponencial do setor secundário que vem aumentando em grandes proporções suas necessidades por mão de obra.

 

Confira a matéria completa clicando no link.

 

 

 

24 Abril
GESTÃO
Fórum de profissionais de RH debate o futuro da gestão de pessoas
Por Jesse Barbosa

A NABUCO Paulista promove a primeira edição do Fórum de Profissionais de Recursos Humanos nesta sexta feira (28). Abordando o tema “Gestão, Pessoas e Futuro”, o evento pretende reunir especialistas e estudantes para debater as modificações do cenário do setor de Recursos Humanos frente às transformações tecnológicas e econômicas.

Confira a matéria completa aqui.

28 Março
Palestra
Inclusão de pessoas com síndrome de down no mercado de trabalho
Por Luiz Malafaia

Foi realizado, na última sexta-feira (24), o evento de responsabilidade social sobre inclusão das pessoas com Síndrome deDown. O projeto foi idealizado pelo curso de Administração da Faculdade Joaquim Nabuco, unidade Olinda, e contou com a participação da psicóloga e palestrante Anna Olympia Acioly, que proferiu palestra sobre a inclusão das pessoas com Síndrome de Down no mercado de trabalho.

O assunto fez parte das comemorações do dia internacional da Síndrome de Down, celebrado no dia 21 de março, e teve o objetivo de trazer debate e reflexão aos novos profissionais sobre necessidade de inserir no ambiente da empregabilidade pessoas com alta capacidades para o trabalho, mas com algumas diferenças que, quase sempre, não são compreendidas e aceitas nesses locais.

A palestra contou com a participação de alunos do curso de Administração, Ciência Contábeis, Pedagogia e do público em geral.