JOAQUIM NABUCO | Ser Educacional
14 Março
Entrevista
Crise, desemprego, educação e provocações de um jornalista
Por Leonardo Estevam

Jornalistas são indíviduos interessantes, instigantes e que conseguem, mesmo contra sua vontade (risos), tirar informações preciosas e, por vezes, atiçam seu intelecto a liberar conteúdo que, talvez, diante de outra pessoa você não o faria. Talvez, a combinação mais feroz para colher informações de alguém seja daquele cidadão que se graduou em Psicologia e fez Jornalismo em seguida. Amigo! Diante de um indíviduo assim, nem os olhos você pode mover.

Brincadeiras de lado, tomei coragem de escrever para os senhores acerca de uma provocação que me fez o Nathan Santos, jornalista do LeiaJá. O repórter parece que estudou bem o meu perfil antes de me fazer a ligação de convite para um bate papo, pois, como estou fazendo Mestrado em Inovação e Desenvolvimento Econômico e estou estudando justamente os impactos dos Crescimentos Econômicos Compulsórios na formação das pessoas, ficou claro que seria um deleite responder sobre Educação vs Crise. A cada pergunta que Nathan fazia, eu lembrava de Rothbard, Mises e Friedman, autores que acabo lendo quase todos os dias e que fomentam o conteúdo do meu artigo.

Nathan começou generalista e acabou tocando em feridas de crise, desemprego e educação, com uma sagacidade interessante durante o percurso de nosso bate papo, o qual transcrevo na íntegra para a apreciação e análise dos senhores:

LeiaJá - De que forma as qualificações e a própria formação educacional ajudam os candidatos que estão buscando espaço no mercado de Trabalho?

Leonardo Estevam - O Brasil, atualmente, é o terceiro país do mundo em desemprego. Perde apenas para África do Sul e Itália, de acordo com dados do último relatório da Organização mundial do Trabalho.

O curioso dessa situação é que, nesse mesmo Brasil que deverá ser responsável por 1 milhão dos 3,4 milhões de desempregados previstos para 2017 (Fórum Econômico Mundial), 63% das empresas reportam dificuldades para contratar, de acordo com números da OCDE. Diante deste cenário e adicionando o fato de que apenas 11% dos funcionários de empresas nordestinas e 16% dos funcionários de empresas brasileiras possuem ensino superior, estar um passo à frente na sua formação educacional é condição fundamental para o desenvolvimento de sua carreira.

LeiaJá - Neste período de retração econômica, como é possível descrever o funcionário ideal para as empresas?

Leonardo Estevam: Diante de uma retração econômica como a atual, aspectos como a resistência à frustração e à pressão são fundamentais. Resiliência sempre é uma palavra chave quando se fala de momentos de crise. Mas, nos últimos tempos, tem chamado atenção a tendência do mundo em procurar por profissionais que consigam aliar habilidades matemáticas com habilidades sociais. Não adianta ser um profissional de extremada capacidade para o raciocínio lógico se não for hábil na socialização, na capacidade de liderar e, sobretudo, de empreender!

Essa palavra não serve apenas para aqueles que possuem seu próprio negócio, mas também para aqueles que trabalham para alguém, pois ser empreendedor é cada vez mais demandado pelas organizações. Ter sentimento de dono é fundamental e, para isso, as empresas esperam que seus colaboradores possam ser Intra Empreendedores.

LeiaJá - Atualmente, quem é mais procurado: profissional especialista ou o generalista?

Leonardo Estevam: Diria que nem um e nem outro. O que se procura hoje é o produtivo! Aquele que entrega resultados e dentro do prazo! Não há mais essa de generalista ou especialista, as instituições que não possuem em sua trilha de aprendizado disciplinas ou atividades que busquem integrações de conhecimentos, o que chamamos na Academia de tópicos Multidisciplinares ou integradores, não estarão em linha com a demanda do mercado.

Provoco o leitor para refletir aqui comigo. Um profissional de Educação Física que não souber identificar aspectos comportamentais, que não souber se apresentar em redes sociais ou mesmo não souber controlar seus custos poderá ter sustentabilidade? Claro que não!

Ter habilidade para identificar quando seu cliente está num dia bom ou não é fundamental para qualquer personal criar a motivação adequada. Apresentar uma rede social interessante ajuda o profissional de Educação Física a vender seus serviços e, concluindo, ter controle de seus custos é tópico de impacto primordial para o resultado financeiro do negócio! Mas eu não estava falando de um profissional de Educação Física? Por que ele precisa saber de coisas que dizem respeito à Psicologia, Marketing e Finanças? Simplesmente porque o mundo está integrado, as soluções estão integradas e, para sermos produtivos, teremos que saber coligar e usar ciências e conhecimentos diversos. Bem vindo ao mundo da colaboração!

LeiaJá - Como é possível investir em educação em tempo de crise?

Leonardo Estevam: Diria que se você não investir, sua crise vai aumentar. Quem tem ensino superior, de acordo com IBGE (PNAD), ganha até 42% mais do que quem não tem, quando essa pessoa faz pós-graduação, de acordo com o IBGE (PNAD), recebe 107% a mais do que quem não tem.

Então se você não investir em educação, sua crise não vai passar nunca! Hoje o mercado disponibiliza diversas formas de financiamento, em diferentes formatos e de diversos financiadores. A única coisa que o mercado não absorve é a inércia acadêmica. Então, sendo bastante direto, haja o que houver, não pare de estudar.

Talvez minhas considerações não sejam as mesmas dos senhores, mas tenho certeza que criarão um debate interessante para esse post. No final, o mais importante é que jovens possam ter um norte esclarecedor para a sua entrada no mercado de trabalho.

*Matéria original publicada na coluna LeiaJá/Carreiras publicada no Jornal do Commercio.